Parlamento britânico impõe derrota a Boris Johnson e abre caminho para bloquear Brexit sem acordo

Deputados impõem derrota a Boris Johnson e colocam em pauta votação de proposta que obriga premiê a pedir novo adiamento da saída da UE. Chefe de governo diz que convocará eleição antecipada caso moção seja aprovada.

Por: DW Brasil

O Parlamento britânico se rebelou nesta terça-feira (03/09) contra o primeiro-ministro britânico, o conservador Boris Johnson, colocando em pauta uma moção suprapartidária visando impedir uma saída sem acordo da União Europeia (UE).

Por 328 votos a favor e 301 contra, os deputados aprovaram medida retirando do governo o controle da agenda parlamentar e possibilitando que seja debatida nesta quarta-feira, em caráter de urgência, uma legislação que obrigue Johnson a solicitar à UE um novo adiamento do Brexit, caso não seja alcançado um acordo antes de 31 de outubro.

Johnson anunciou que apresentação uma moção para que o Parlamento decida  sobre a convocação de eleições antecipadas, caso seja aprovada uma lei que impeça um Brexit sem acordo. Johnson ameaçou convocar eleições antecipadas – medida cuja aprovação necessita de dois terços dos votos do Parlamento.

“Não quero eleição, mas se os deputados votarem amanhã para forçar outro adiamento inútil do Brexit, então esse será o único modo de resolver isso”, afirmou o premiê.

Para chegar ao resultado, 21 deputados do Partido Conservador votaram ao lado da oposição. A votação foi realizada horas depois de Johnson perder sua maioria no Parlamento britânico, com a ida de um deputado do seu Partido Conservador para o oposicionista Partido Liberal Democrata.

O parlamentar Philip Lee anunciou num comunicado sua mudança de partido, por não concordar com a postura do governo em relação ao Brexit. Em carta endereçada a Johnson e divulgada no Twitter, Lee afirmou que Londres está “perseguindo agressivamente um Brexit prejudicial”. Ele acusou o governo de “usar manipulação política, bullying e mentiras”.

Johnson tinha até então uma maioria apertada, de apenas uma cadeira, incluindo seus parceiros de coalizão, o Partido Unionista Democrático (DUP), da Irlanda do Norte.

Os legisladores retomaram os trabalhos nesta terça-feira após o recesso parlamentar de verão. Entre dez e 20 conservadores dissidentes, incluindo o ex-ministro das Finanças Philip Hammond, planejaram votar junto com a oposição e aprovar uma moção suprapartidária visando impedir uma saída da União Europeia (UE) sem acordo em 31 de outubro.

O projeto de lei exige que Johnson peça ao bloco europeu que adie o Brexit para 31 de janeiro, a menos que o Parlamento britânico aprove um novo acordo ou vote por um Brexit sem acordo até 19 de outubro. 

O primeiro-ministro insiste em manter em aberto a opção do no deal (divórcio sem acordo com a UE), na tentativa de forçar Bruxelas a fazer concessões de última hora e aceitar um acordo que seja mais favorável economicamente ao Reino Unido.

A decisão do premiê, na semana passada, de suspender as atividades do Parlamento britânico  por cinco semanas, a partir de 10 de setembro, acirrou ainda mais as tensões e gerou uma onda de protestos pelo país. Muitos acusam Johnson de atentar contra a democracia.

A manobra deixa os parlamentares pró-UE com poucos dias para tentar impedir uma ruptura dolorosa com a União Europeia. Em recesso de verão desde 25 de julho, o Parlamento britânico retomou suas atividades nesta terça-feira e será suspenso novamente na próxima terça-feira.

Desde que assumiu o cargo em julho, após a renúncia de sua antecessora, Theresa May, Johnson promoveu uma reviravolta nas tradições políticas do país e inflamou os ânimos tanto das correntes favoráveis quanto das contrárias ao Brexit.