Orlando Rollo: o homem que contratou um condenado por estupro para jogar no Santos

Ídolo do passado santista, Robson de Souza retorna ao clube pelas mãos do ex-vereador do PSDB, que é maçom e policial

Fonte: Bdf

O atacante Robson de Souza, de 36 anos, foi anunciado, na última sexta-feira (9), como reforço do Santos Futebol Clube para jogar os próximos cinco meses. Nas redes sociais, Orlando Galante Rollo, o presidente do clube, celebrou a contratação do jogador que foi condenado a nove anos de prisão na Itália, por estupro coletivo de uma jovem albanesa em 2013. O atleta recorreu da decisão.

“Robinho aceitou meu apelo e concordou em receber apenas R$ 1.500 de salário (piso mínimo pago aos jogadores de futebol), por cinco meses de contrato, tendo em vista a nossa situação financeira delicada. Veio para ajudar o Peixe. Seja bem-vindo novamente, Pedalada”, saudou o sorridente dirigente santista.

Rollo era vice-presidente do Santos e assumiu o clube em 28 de setembro deste ano, após o presidente José Carlos Peres ser afastado pelo Conselho Deliberativo santista, após a constatação de irregularidades no demonstrativo financeiro de 2019.

Rompido com Peres desde junho de 2018, Rollo assumiu o clube em meio a uma crise internacional. Em janeiro de 2019, o Santos contratou o venezuelano Yeferson Soteldo por U$$ 3,4 milhões (cerca de R$ 18 milhões, na cotação atual). Porém, até hoje não saldou a dívida com Huachipato, do Chile, clube que detinha o passe do jogador. A Fifa determinou que os santistas não poderão inscrever atletas em competições oficiais por três aberturas de janela para o mercado (cerca de um ano e meio).

A punição, que passa a valer a partir da próxima terça-feira (13), fez com que Rollo corresse para garantir a contratação de Robson de Souza. O êxito na negociação tornou o clube alvo de ataques e criticas nas redes sociais. Os protestos vieram de jornalistas e torcedores, do Santos e clubes rivais.

A contratação de Robson de Souza foi cogitada no Santos em 2018, ainda durante a gestão de Peres. Na época, o então presidente rechaçou a possibilidade, pois não queria ver o jogador condenado por estupro vestindo a camisa do clube. “Temos projetos de marketing para atrair mais torcida feminina. Isso pode ser problema. O Robinho é ídolo do clube e gostaríamos de ter um bom relacionamento com ele.”

Para o atual presidente, o crime não parece ser um impeditivo para que Robson de Souza siga ocupando o posto de ídolo do clube. Porém, Rollo tem como profissão justamente o combate ao crime. O santista é investigador do 3º Distrito Policial de Santos, que fica na Ponta da Praia. Para ocupar a presidência, ele pediu licença do cargo público, onde recebe um salário de R$ 5.739.

Rollo, que é filiado ao PDT desde agosto de 2014, já disputou a eleição para vereador de Santos, em 2012, pelo PSDB. Não foi eleito, mas ficou com uma das vagas de suplente dos tucanos e ocupou o cargo em duas oportunidades.

Em abril de 2019, Rollo fez um treinamento no Texas (EUA), com a Swat, grupo de elite da polícia americana. Nas redes sociais, o presidente santista diz que foi convidado pelo senador bolsonarista Marcos do Val (Podemos-ES). O parlamentar afirma que não conhece Orlando Rollo e que não o convidou para realizar treinamento na Swat.  Em suas redes sociais, o presidente santista postou algumas imagens ostentando armas, bandeira defendida pelo parlamentar em seu mandato em Brasília.


Em abril de 2019, Rollo realizou um treinamento na Swat, nos EUA / Foto: Reprodução / Instagram

Rollo é maçom e chegou a comandar algumas cerimônias na Loja Maçônica Barão de Mauá, entidade que preside. Em 2012, o presidente santista escreveu o livro “Participação da maçonaria nos destinos políticos da nação brasileira”.

Advogada

Brasil de Fato tentou contato durante todo o dia 12 de outubro com o escritório de Marisa Alija, advogada de Robson de Souza.

À Gazeta Esportiva, ela afirmou que a condenação do atleta na Itália é em primeira instância e sem ordem de prisão. “Eu, como mulher estabelecida na área, com carreira formada, não estaria ao lado dele sem ter certeza da inocência dele. Conheço o processo de perto”, disse a advogada.

Edição: Rodrigo Chagas