O Ministério da Alienação

Por: Edu Ramos 

 

É impressionante como o Brasil parece estar submerso e toda percepção de mundo soa como uma distorcida e embaçada visão da realidade. A miséria intelectual que permeia os atuais lideres de nossa nação não só é consequência como espelha literalmente o pensamento de grande parte da nossa sociedade, sendo essencial a percepção de que constitui minoria a parte do eleitorado que votou em políticos tão despreparados e agora diz-se ludibriado.

Quando o Ministério da Educação cai nas mãos de alguém totalmente tendencioso como o senhor Ricardo Veléz Rodriguez, aquele típico conservador radical disfarçado de anti-ideológico, defensor de disciplinas que remetem aos tempos da ditadura (Como Educação moral e cívica) e apoiador da censura velada que é o inconstitucional projeto Escola sem Partido (criticado exaustivamente pelos profissionais da área e acadêmicos) é fácil notar como a bandeira da intolerância sobe o mastro a pleno vapor. É triste perceber que os rumos da educação, pilar de qualquer governo que almeja o desenvolvimento de uma nação, esteja mergulhada em águas tão turvas e dúbias. O absurdo disso tudo é que há quem vibre com isso, gente que alimenta tal pensamento e se apega a necessidade de exterminar o que mal compreende (Visto o apoio de grande parte dos usuários de redes sociais ao bizarro comunicado oficial do MEC em resposta à reportagem assinada por Ancelmo Gois no O Globo), adeptos de uma onda de revanchismo que parece disposta a atropelar qualquer resistência à imoralidade desde que o demônio do tal “Marxismo Cultural” seja exorcizado.

 

Valores morais e éticos estão entre os assuntos mais discutidos nesse inicio de governo. Um dos pilares argumentativos do pensamento dominante da base governista em relação à educação é o de que “a doutrinação escolar desvia o foco dos verdadeiros heróis do Brasil” e que o “viés ideológico esquerdista adotado em nossas escolas desvirtuou os valores morais e éticos de nossa sociedade”. Segundo Major Olimpio, em entrevista ao Jornal Nacional, ao comentar as propostas de Vélez, “isso vai valorizar a formação do cidadão Brasileiro a partir da escola. Coisas mínimas que hoje se observam, que as pessoas não sabem mais cantar o hino Nacional, não conhecem os símbolos pátrios” e por ai vai. É a ótica ufanista de alguém que acredita na repressão como forma de libertação, que cerceia o livre pensamento critico em prol de uma pseudo educação baseada na manipulação da história, desrespeito ao pluralismo e com foco no desenvolvimento de indivíduos guiados pelo cabresto. Esse tipo de pensamento é visto com bons olhos, seja pelo ministro, seja por grande parte dos eleitores do atual presidente. Bolsonaro é um títere a ser usado conforme interesses escusos, é ignorante, influenciável, submisso, mal assessorado, egocêntrico, mas é preciso estarmos atentos ao fato de que algumas das figuras que o cercam, embora muitas vezes criticadas e cobradas publicamente, são estrategistas hábeis. Estão testando a mídia e a opinião publica e seus projetos além de terem respaldo popular, têm grande força no “novo” Congresso Nacional.

 

Dizer que o Ministro da Educação é totalmente alienado soa um tanto ingênuo (muito embora o mesmo use da alienação como ferramenta), pois apesar da politicagem que envolveu a sua indicação, seu nome não foi colocado na pauta à toa, sendo ele uma figura extremamente intima ao pensamento reacionário de Bolsonaro. Afirmar sua ignorância é um deleite para seus defensores, visto que o professor e filósofo colombiano é tudo, menos ignorante. Além de que, embora não seja um mérito perante a situação, é uma das pessoas com os argumentos mais influentes na base governista (E aqui cabe uma comparação com a figura nefasta de Damares Alves, Ministra da Mulher, da Família e Dos Direitos Humanos). É despreparado para o cargo, peca na articulação de suas ideias perante a imprensa, comete gafes absurdas e concede entrevistas pavorosas. Mas a questão principal a ser debatida tem que ter como foco a figura intransigente que contrasta absurdamente com o cargo pluralista que representa e saber que seus ideais retrógrados ecoarão por muitos e muitos anos em nossa sociedade devido ao apoio popular, politico e de algumas tantas instituições. Caso não haja um embate ferrenho e argumentativo em contrapartida à chacota que alguns opositores do governo adoram fazer, não haverá resistência. A idiotização de argumentos sérios e complexos é um dos fatores da ascensão do movimento de extrema direita e do pensamento simplista do eleitor (que de ingênuo nada tem) que os colocou ali. Fiquem de olho!