No copa da intolerância o gol contra é brasileiro

Não tem jeito, depois que a bola rola, as pessoas entram no clima da copa, é ai que começam as brincadeiras e as piadas durante os jogos, porém o que se observa nesta copa do mundo são alguns assuntos que transcendem as quatro linhas.

A mídia esportiva que vem perdendo a qualidade não é de hoje, fez a opção de deixar a informação de lado e os princípios básicos do Jornalismo para apostar no “Jornalismo engraçadinho”, o Stand Up e o papo de boteco, não que o papo de botequim não seja agradável, pelo contrário, principalmente acompanhado de uma boa cerveja, o papo sempre rende. O que não podemos é transformar as redações e a imprensa, que tem como sua essência a informação, em um balcão de futilidades. Quando o principal assunto antes de uma estreia da seleção Brasileira é o corte de cabelo do seu principal jogador, é um sinal claro que o Jornalismo está se tornando um grande reprodutor de memes, e debates inúteis.

É no mínimo curioso que, na copa onde a maior preocupação era a intolerância as principais demonstrações de machismo e homofobia tenham vindo do país onde “pessoas de bem” tanto criticaram o país sede da copa.

Lamentável que poucos programas televisivos tenham abordado o assédio cometido por um grupo de Brasileiros, uma covardia com uma mulher Russa que aparentemente não entendia a grosseria que o grupo de machistas lhe proferiram, um tema tão grave que está ocorrendo no país da copa, mas a mídia prefere dar mais atenção para o visual dos jogadores. Graças a alguns jornalistas, que tem consciência da sua função, a indenidade dos agressores está sendo exposta nas redes sociais, fazendo com que entidades e grupos organizados se posicionem exigindo que sejam devidamente punidos.

Tal atitude me obriga a interpretar que a falta de interesse da imprensa esportiva e sua resistência em falar sobre machismo e homofobia nada mais é, do que uma tentativa de manter o status quo, basta observar a audiência de muitos desses veículos e as redes sociais de jornalistas que são dominadas por grupos que pregam o ódio, machismo, homofobia e preconceito, para entender que não serão eles que terão coragem para colocar o tema em pauta.

Aliás, a reação das redes sociais não me causa nenhuma surpresa, pois os mesmos grupos que acham que cantos homofóbicos e racistas são “mimimi” por parte dos que sofrem, também minimizaram a atitude do grupo de covardes,… O perfil dessas pessoas? Ora, não precisamos pensar muito, são os bons e velhos “homens de bem”.

 

Alam Moura