Milicianos dominam construção e venda de imóveis irregulares na Muzema, onde prédios desabaram

Fonte: G1

Milicianos dominam a venda de imóveis irregulares na Muzema, comunidade na Zona Oeste do Rio onde estão localizados os prédios que desabaram na manhã desta sexta-feira (12).

A Polícia Civil possui investigações sobre a construção e venda dos prédios como uma das atividades mais lucrativas da milícia de Rio das Pedras, que fica próxima.

Segundo fontes da corporação, pelo menos 90% dos prédios construídos na região foram erguidos por construtoras que possuem ligação com a milícia.

Em outubro do ano passado, o RJ2 mostrou que milicianos exploram a construção de edifícios na região. Na ocasião, houve o flagrante de um trator em uma clareira na comunidade carregando areia e brita.

Moradores denunciaram o loteamento de terrenos vizinhos a um condomínio fechado. Os criminosos criam um conjunto habitacional, no interior da comunidade, sem qualquer documentação.

Segundo informações do repórter Genilson Araujo, é possível contar pelo menos 60 imóveis sendo construídos na comunidade.

De acordo com relatos feitos ao RJ2, a milícia parcela os valores do imóvel mas o apartamento não é registrado. A única documentação de posse é expedida pela associação de moradores. Os valores dos imóveis variam entre R$ 15 mil e R$ 25 mil. Com parcelas de R$ 2 mil por mês.

Em janeiro deste ano, uma força-tarefa do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu, nesta terça-feira (22), cinco suspeitos de integrar uma milícia que age em grilagem de terras.

O grupo é suspeito de comprar e vender imóveis construídos ilegalmente na Zona Oeste do Rio, além de crimes relacionados à ação da milícia nas comunidades de Rio das Pedras, Muzema e arredores.

Segundo as investigações, o grupo usa a Associação de Moradores de Rio das Pedras para fazer transações de compra e venda dos imóveis construídos ilegalmente e a manipulação de documentos necessários à concretização de operações ilícitas.

De acordo com os promotores, na Associação de Moradores da Muzema e de Rio das Pedras havia farta documentação de venda de imóveis e cheques de grandes quantias assinados nominalmente, que foram apreendidos, além de talões de cheques também assinados.