Marianna Perna: Espalhando poesia para todos os cantos

Por: Jaques Cipriano

Marianna Perna, uma Historiadora interessada em artes alternativas percebeu com o tempo que poderia unir todos esses elementos de sua preferência através da poesia, pois nela é possível se expressar não somente pela escrita, mas também através do olhar, expressão corporal que podem, segundo ela, se tornar uma opção de expressão verbal. Dessa maneira podemos defini-la como uma poetisa que utiliza de diversas vertentes para expor suas ideias e sentimentos.

O Proseador conversou com Marianna Perna que falou um pouco sobre seu trabalho e toda a cultura que o aborda. Segue abaixo trechos mais importantes de sua entrevista:

O.P: Como você começou sua carreira?

Marianna Perna: Eu considero o início de minha carreira em 2012, quando eu decidi a me dedicar, gostando cada vez mais daquilo que eu escrevia onde, tendo as poesias que eu lia nos tempos da faculdade como pano de fundo, descobri que eu podia reconfigurar tudo isso e encontrar minha forma de me expressar.

O.P: Quais foram suas principais influências?

Marianna Perna: Além da cultura indígena, por eu ser historiadora serve como inspiração também aquelas mulheres artistas que não puderam concluir seus trabalhos devido a ordens impostas, onde muitas delas cometeram suicídio. Devido a essa imposição para artistas visuais e poetas, se hoje é difícil, alguns anos atrás era muito pior para essas mulheres poderem divulgar seus trabalhos, e percebi que tinha várias afinidades sobre a obra delas. Eu penso que se isso está chegando em mim e eu tenho que levar adiante transformar em algo que não acabe só em mim pois era isso que elas queriam mas foram impedidas devido à todos esse problemas já mencionados. Além delas, Paty Smith, Diamanda Gallas americana de ascendência Grega e cantora, pianista com uma pegada bem experimental, Cora Coralina autora Brasileira além de Alice Ruiz que tem uma obra contemporânea entre outros.

O.P: Fale um pouco sobre seu livro, Cerimônia de todas as vozes.

Marianna Perna: Este é o meu primeiro livro editado de minha autoria lançado pela editora Urutau, onde tem uma série de livros discos, e o meu foi o segundo a ser publicado por eles. Depois de ver o trabalho de um amigo meu chamado Felipe Antunes, que foi o primeiro dessa categoria a ser lançado também pela mesma editora, me serviu como inspiração para descobrir que era isso que eu queria fazer, inclusive ele participa em umas das faixas desse meu livro disco e também me acompanha nas apresentações junto com Carlos Gardelha que co-produziu comigo é o guitarrista e ele toca piano. Sobre as fotos eu pensei nas intersecções quis trazer a questão da caligrafia no livro, eu acho que a gente esta num mundo cada vez mais moderno e com isso perdendo o contato com a caligrafia e para mim ela é nosso ser biológico, o tempo do corpo, da respiração e tem certas coisas que se perde por que acham que tecnologia é melhor, para mim isso é uma adesão muito automática. Eu acredito que pode ser feita uma convivência entre a tipografia e umas inserções de caligrafia que eu mesma fiz usando pena e nanquim, e tem bastante fotografia que conta uma narrativa foram registradas quando fizemos um vídeo da performance e por isso uma característica de multimídia pois além de livro e CD tem também essa dimensão visual bem forte.

O.P: A atual situação do país e o mundo em geral te inspiram de certa forma?

Marianna Perna: De forma positiva me inspira na relação da internet com os artistas onde eles tem mais possibilidades de se expressarem sem depender somente de uma gravadora, devida a tecnologia em poder gravar e publicar seus trabalhos de forma independente e as negativas são muitas também eu acho que me inspira criar cada vez mais a serviço da arte para transformas as coisas que eu acredito que são problema, e sobretudo tem a ver com o poder a opressão ou seja todos o valores que estão ligados a isso.

O.P: Qual é o público que costuma ir a suas apresentações?

Marianna Perna: Eu estou num processo de formação de público e antes de ter um alcance são as pessoas que já me conhecem e conhecidos de amigos geralmente outros artistas, e com isso vai se expandido através de um processo de formiguinha. E acho que aos poucos, por exemplo, entrando no circuito do SESC vai tendo mais visibilidade por pessoas que tem interesse múltiplo de música, poesia, dança, áudio visual enfim, comtempla muita gente e até pessoas que podem se interessar em questão da espiritualidade até, meditação, mantra, eu acho que tem um apelo também para isso, principalmente o Budismo que eu pratico, tem desse espaço para contemplação e dessa maneira um potencial legal para chegar à público diversos através desse trabalho.

O.P: Quais são seus projetos para o futuro?

Marianna Perna: Eu estou pensando em lançar um novo livro tradicional, já tenho algumas ideias mas não sei ainda quando vou começar a trabalhar nele, mas já estou sentindo e também pensando em algo mais simples por que sei que em termos de trabalho estou me dedicando no meu projeto atual que é entrar no doutorado e isso toma bastante tempo e mais pra frente vou pensar nesse livro com material que vou desenvolvendo aos poucos.

O.P: Para encerrar gostaria que você recitasse um trecho de um poema do seu livro que você considere adequado para a nossa entrevista.

Marianna Perna: Como é bem curtinho vai dar para falar ele inteiro chama-se Abertura:

“Pelas mãos daquelas que vieram antes

Porque estive morrendo já a tanto tempo

E foram estas mãos da idade

Que me relembraram, eu estou aqui

Denise, Silvia, Hilda, Ana Cristina

Adrienne, Alejandra, Catarina

Senhora ,senhora

Eu estou aqui”