Livro Resistência e Anistia: a luta por Justiça contada por seus protagonistas

Em celebração aos 40 anos da Lei da Anistia, Paulo Cannabrava Filho resgata a história do movimento por eleições diretas e durante o período ditatorial

Por: Diálogos do Sul

Em seu novo livro Resistência e Anistia, o jornalista Paulo Cannabrava Filho, editor da Revista Diálogos do Sul, resgata a história das lutas do povo brasileiro contra a ditadura repressiva e regressiva, de 1964 a 1985, contada pelos seus protagonistas e através de exaustiva pesquisa documental. 

O livro, que está sendo editado pela Alameda Casa Editorial, está com uma campanha de financiamento coletivo para viabilizar sua impressão e distribuição. Para cada faixa de contribuição é oferecida uma recompensa exclusiva, como é possível verificar aqui.

A jornalista, historiadora e cientista política e  Beatriz Bissio ressalta  a importância de se abordar um tema tão relevante para o atual contexto político no Brasil, onde diversas pessoas estão negando o que ocorreu durante o período da ditadura militar no país. 

“Esse livro tem que sair, porque esse é o momento de voltar a trabalhar,  sobretudo com as novas gerações, a questão da memória da resistência e da luta”, diz Bissio, em declarações à Revista Diálogos do Sul. Ela destaca ainda a necessidade de engajamento na campanha de financiamento coletivo: “não podemos deixar essas páginas no esquecimento. Não vamos deixar essa pesquisa cair no esquecimento como tantas outras por falta de financiamento”, ressalta. 

De acordo com a professora do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o livro trata de um período importante da história brasileira: “alguns até deram sua vida para que tivéssemos novamente um processo democrático, se mobilizaram, elevaram suas vozes, saíram às ruas, foram perseguidos e torturados, estiveram anos separados de suas famílias. (…) Essa memória e a resistência de tantos brasileiros idealistas precisa ser preservada.”

Anistia sob ameaça

O livro é lançado no marco da comemoração aos 40 anos da promulgação da Primeira Lei de Anistia. De acordo com Paulo Cannabrava, trata-se de “um dos momentos mais críticos da história brasileira, confrontada por um poder que quer mudar o curso da história, em que os algozes do povo são heróis e as vítimas desses algozes são demonizados”. Por essa razão, ele considera esta uma obra mais do que oportuna “para mostrar à sociedade a verdade contada pelos protagonistas da história e fundada em farta documentação pública”.

Cannabrava relata, em sua obra, o que foi o processo da Justiça de Transição, a luta do povo pela pela democracia, o movimento por eleições diretas e pela anistia a todos os presos e perseguidos políticos.  Essas conquistas, no entanto, estão sendo alvo de ataques por integrantes do governo Bolsonaro.

“Nós conquistamos a anistia ainda sob a ditadura. O Estado brasileiro decidiu não considerar criminosas aquelas pessoas que lutaram contra o regime. Então nós passamos a ter nossos direitos plenos”, diz Amelinha Teles à Diálogos do Sul. Ela foi presa política e torturada durante o governo de exceção  e hoje é uma referência nacional na luta pela memória e Justiça. 

“Essa anistia é fruto de uma luta de mães, de companheiras, irmãs, muitas mulheres, muitos jornalistas, advogados(as), intelectuais, estudantes, sindicalistas e operários que participaram das manifestações em prol da anistia”, lembra Amelinha.

Amelinha, que faz parte da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, destaca que a anistia é um instituto nacional no Brasil e, por isso, não pode ser revista, já que é uma decisão de Estado. “Depois de 40 anos, a anistia se vê ameaçada por atitudes arbitrárias. A lei passou por todos os trâmites legais e institucionais, portanto não tem como voltar atrás”, explica. 

Anistia é um instituto jurídico e foi incorporada na Constituição Federal Brasileira no ano de 1988. Ela garante não só a anulação das condenações, como exige do Estado reparações pelas graves violações de direitos de cometidos pelos agentes de Estado. “O presidente foi eleito de acordo com a Constituição brasileira, mas não está agindo como manda essa Constituição, e os assessores que o orientam têm que enxergar isso, que é uma conquista consolidada do povo brasileiro. A anistia é necessária e histórica, não há como voltar atrás, acho bom que eles se lembrem disso”, assegura Amelinha.

O livro Resistência e Anistia é o confronto da verdade com aqueles que querem mudar o curso da história. “Um livro que conta toda a história e importância dessa conquista, o quanto a sociedade tem sido beneficiada, porque anistia significa liberdade e democracia, e a sociedade precisa disso para produzir, para crescer e se desenvolver”, diz Amelinha Teles, “nós precisamos conhecer a história do Brasil e esse livro contribui para isso”.

Você pode contribuir  com o resgate dessa memória ajudando a viabilizar a impressão dos exemplares que precisamos para chegar ao grande público. Basta acessar o site da campanha e colaborar com qualquer quantia.