Governo Bolsonaro distribuiu mais de 100 mil comprimidos de cloroquina entre indígenas

Além da cloroquina, que tem estoque para 18 anos produzido pelo Laboratório do Exército, militares do Ministério da Saúde enviaram ainda 205 mil comprimidos de Tamiflu, que representa risco ainda maior no tratamento da Covid-19

Fonte: Revista Fórum

O governo Jair Bolsonaro distribuiu 100.500 comprimidos de cloroquina nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), que está na linha de frente no atendimento à Covid-19 entre os povos indígenas. A informação consta de uma apresentação divulgada pelo ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, na última sexta-feira (24) e foi destacada no site De Olho nos Ruralistas.

No slide apresentado pelo coronel Elcio Franco, secretário-executivo da pasta, consta ainda que foram enviados aos distritos que cuidam da saúde dos povos indígenas outros 205.540 comprimidos de oseltavimir, conhecido pelo seu nome comercial – Tamiflu.PUBLICIDADE

Segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia, o Tamiflu tem uma eficiência menor ainda e um risco maior ainda no caso da Covid-19, embora seja recomendado — sem ênfase — para o combate à gripe.

Cloroquina
Sem comprovação científica e com restrições pelo próprio Conselho Nacional de Saúde (CNS), a cloroquina tornou-se a principal bandeira de Jair Bolsonaro no combate ao coronavírus.

Após ordem do presidente, o laboratório do Exército acelerou a produção do medicamento, chegando a produizr 1,8 milhão de comprimidos, cerca de 18 vezes a produção anual do medicamento nos anos anteriores.

Genocídio
Ao menos 12.049 indígenas brasileiros foram infectados pelo novo coronavírus e 231 morreram por Covid-19 desde o início da pandemia, segundo números do Ministério da Saúde divulgados na mesma reunião, nesta sexta-feira (24).

A Região Norte foi a que mais teve casos entre os povos tradicionais, com ao menos 8.348 confirmações e 137 mortes. No Nordeste, segunda região com mais casos, 2.057 indígenas confirmaram para Covid-19 e 38 morreram.