Fábrica, bar e criatividade: Conheça a Cervejaria Tarantino, a única fábrica de cerveja instalada na Capital Paulista

Por: Alam Moura/ Edu Ramos

Em meio a fábricas e galpões no bairro do Limão, um portão se destaca na larga Rua Miguel Nelson Bechara. Inaugurada em Setembro de 2018 e com capacidade de produção de aproximadamente 30 mil litros de cervejas ao mês, a Cervejaria Tarantino é hoje a única e maior fábrica de cerveja instalada na Capital Paulista. O que chama a atenção ao adentrar o estabelecimento é o ambiente que, além da produção própria e da distribuição para diversos bares e parceiros, está longe de ser visto apenas como um local para produção.

Instalações da Cervejaria Tarantino, com capacidade de produção de aproximadamente 30 mil litros de cervejas ao mês

Jogos, grafites espalhados pelas paredes, fliperamas, mesa de futebol de botão e cesta de basquete, são ingredientes perfeitos para receber o público em um espaço de 2.400 metros quadrados nos mais variados eventos. 

O Proseador conversou com a Gerente Comercial e Sommelier de Cerveja Camila Brandão, que falou um pouco sobre sua experiência no ramo cervejeiro e o que representa a Cervejaria Tarantino em um mercado tão concorrido:

O.P: Fale um pouco da Cervejaria Tarantino e de como surgiu o seu interesse pelo mercado Cervejeiro?

Camila Brandão: – Antes eu trabalhava com produção musical, não só produção, mas também com audiovisual, pois sou formada em Radio/TV. Em 2013, quando fui morar na Irlanda, acabei conhecendo uma variedade de cervejas e, quando voltei, descobri que precisava conhecer mais sobre. Foi aí que acabei fazendo o curso de Sommelier de Cervejas pelo ICB, onde me formei e então comecei a trabalhar em bares de amigos, em importadoras e tendo contato com uma grande variedade de marcas. Depois disso trabalhei como supervisora de vendas durante dois anos na AMBEV, no departamento das cervejas especiais e, após ficar um período afastada, em Julho de 2018 já estava trabalhando aqui na Tarantino. 

O.P: OP: Quando falamos em fabricas de cerveja, em grande distribuição, logo pensamos no interior. Por que então da Tarantino estar localizada na Capital?

Camila Brandão: – Estar dentro da cidade de São Paulo é um grande desafio. Mesmo que a instalação seja mais cara na capital comparada ao interior, escolhemos a própria cidade de São Paulo, pois queríamos estar mais próximos da galera, facilitando o acesso a uma fábrica de cervejas com o intuito de proporcionar experiências diferentes. Também pensamos que poderíamos contribuir muito com o comércio local. Então demorou bastante para que pudéssemos abrir, pois tivemos que esperar todas as licenças e procedimentos legais sairem para iniciarmos as atividades dentro da lei. Somos uma cervejaria independente. Além das nossas panelas de brassagem, temos equipamentos que nos dão autonomia na produção, como centrífuga, linha de envase em lata e rotuladora. Inauguramos no dia 7 de Setembro para registrar o dia da independência da cerveja, sempre batendo na tecla: Beba Local.

O.P: Mesmo trabalhando com cervejas especiais, de alguma forma, até mesmo por estarem na Capital, vocês estão competindo com as grandes marcas. Quais as estratégias que a Tarantino usa para buscar seu espaço e atrair esse público?

Camila Brandão: Nós somos uma cervejaria independente, por isso tudo aqui é feito com muita autonomia. Nós temos os concorrentes, mas não encaramos como uma grande concorrência e sim como parceiros, de certa forma está todo mundo no mesmo barco. As cervejas especiais da Ambev por exemplo (sem entrar nas questões de tributação), vejo como uma porta de entrada para um público leigo e que acaba tendo medo de gastar dinheiro com algo que não conhece: Paga mais barato e (se gostar daquele estilo que experimentou) acaba partindo para novas experiências e marcas. Acredito que no final as portas acabam se abrindo para as microcervejarias devido ao entusiasmo das novas descobertas, em que o público acaba se envolvendo ainda mais com o universo cervejeiro. 

O.P: Mas vocês não tem nenhuma pretensão em relação a isso? Vocês não querem ser uma grande distribuidora que produza mantendo seu padrão de qualidade?

Camila Brandão: –  A gente quer crescer com todo o mercado, faturar, mas não queremos uma distribuição gigantesca de larga escala, estamos começando. Nossos rótulos também não são pra atingir os beer geeks, tanto que nossos primeiros rótulos são clássicos de entrada. A gente não produz nada de muito excepcional, muito complexo, por exemplo, em termos de aroma, sabor, frutas ou maturação em barris de madeira. A gente quer fazer bem feito o clássico: uma Pilsen bem feia, uma IPA bem feita, não de amargor muito forte, mas que seja fácil de tomar.

O.P: Quem vocês visualizam como publico alvo, levando em consideração desde o rótulo das latas (reprodução dos grafites da parede) ao sabor da cerveja?

Camila Brandão: – Eu não posso dizer que é exclusivamente jovem, até porque existem muitas pessoas mais velhas com o espirito jovem (rs). A gente tem essa questão urbana, porque a cidade é isso e respira essa cultura underground, então nós trouxemos para as paredes da fábrica os grafites através das parcerias que firmamos com os artistas. E cada grafite deu vida aos nossos rótulos em lata. Sobre nosso público alvo, posso dizer que são todas as pessoas, nossa casa está aberta à diversidade e queremos que todos possam ter a oportunidade de experimentar uma cerveja artesanal paulistana.

O.P: Onde vocês esperam chegar daqui uns três ou quatro anos como Cervejaria?

Camila Brandão: – Apesar da marca Tarantino estar presente desde 2008 como importadora (trazendo diversas marcas americanas conceituadas para o Brasil como Rogue, Anderson Valley, Brewdog, Mikkeller), hoje, como fábrica própria e nova, sabemos que temos muito o que aprender e esperamos nos consolidar no mercado com rótulos espalhados não só pela cidade toda, como também por todo o território brasileiro. Queremos ver as cervejas da Tarantino de Oiapoque ao Chuí. Queremos ir longe, obviamente sem dar um passo maior que a perna, uma coisa de cada vez, sem muita pressa para que possamos atingir uma excelência na distribuição e produções maiores. Hoje nossa capacidade de produção é de 30 mil litros, mas temos produzido por volta de 18 mil litros e temos espaço para expansão.

O.P: Caso a produção de vocês atinja o limite da capacidade, qual será a tendência da empresa: expandir e talvez perder um pouco de qualidade tentando ganhar mercado ou manter a produção no limite mesmo que isso implique em diminuir o faturamento?

Camila Brandão: A gente quer qualidade e cerveja fresquinha antes de tudo. Temos como slogam da cervejaria  “Cerveja Viva, Pros Dois Lados da Ponte”, porque estamos do lado de cá da Marginal Tietê, próximo a ponte do Limão, saindo um pouco do circuito cervejeiro de Pinheiros e Vila Madalena e “Viva” por ela não ser pasteurizada, então está mais fresca, assim como o pãozinho da padaria. Nós temos espaço para expandir mais, para colocar mais 10 tanques na área interna e tantos outros na área externa. E nós queremos também é crescer com os nossos clientes, mas sem perder qualidade nenhuma. As vezes é preferível perder um lote inteiro e dar GAP de produtos no mercado a distribuir uma cerveja que não atinja o nosso padrão de qualidade de produção.

Camila Brandão Gerente Comercial e Sommelier de cerveja
Espaço de 2.400 metros quadrados com os mais variados eventos. 
Cervejaria Tarantino