ECLA: Espaço Cultural Latino Americano luta pela sobrevivência

O ECLA precisa de sua ajuda: Um espaço de resistência que vai na contramão do Brasil pós Golpe, resistindo ao autoritarismo e dando voz a luta de classes. Em dificuldade financeira o Espaço Cultural Latino Americano lança campanha de arrecadação para continuar suas atividades.

Por: Alam Moura e Gabriela Sousa

Em onze anos de existência o Espaço Cultural Latino Americano é um exemplo de luta e resistência, localizado no Centro de São Paulo o ECLA é o ponto de encontro não apenas de militantes de esquerda, mas de todos que estão comprometidos com as causas dos trabalhadores.

Antes de se fixar na Rua Abolição 244 no bairro do Bexiga, Claudimar Gomes, fundador do ECLA e que também tem anos de militância política, fez parte de outros coletivos até iniciar do Espaço Cultural Latino Americano em 2009.  A ideia principal do ECLA sempre foi ser independente para poder ter liberdade, por isso montar um bar em paralelo com as atividades culturais foi a solução encontrada:

“Como esse espaço para um Cine Clube era muito grande e eu conheço muita gente da música, teatro, cinema, eu resolvi ampliar e desenvolver todas as atividades culturais. Mas a grande questão era como manter financeiramente, pois o princípio do ECLA não depender de Governo nem de ninguém, para a gente poder ter liberdade de atuação, então a ideia que surgiu foi montar um bar porque todo mundo que vai para uma atividade cultural depois sai para tomar uma cerveja e comer alguma coisa”.

Claudimar diz que o espaço é suprapartidário, de esquerda, e que toda a linha de pensamento consegue conviver bem no lugar respeitando cada um seu espaço; “uma vez em uma campanha eleitoral, um garoto do PSTU, candidato, reuniu uma turma dele que estavam em campanha e em uma outra mesa o pessoal do PT, também com candidato, terminando o debate os dois se juntaram e tomaram cerveja juntos e não teve problema nenhum”.

Mas nem tudo são flores, principalmente quando falamos dos tempos difíceis no qual estamos vivendo após o golpe de 2016 e as eleições de 2018, algumas situações intimidadoras já aconteceram no espaço como relata Claudimar: “Quando o Bolsonaro ganhou isso é que foi terrível. Depois da eleição, eu tirei todas as cortinas, as mesas e o som, também tiramos bandeiras da Venezuela, Fidel Castro, porque eu fiquei preocupado que houvesse algum atentado ou um ataque desses malucos de extrema-direita, apesar de não ter acontecido nada existia essa preocupação. Já teve ocasião que nós fizemos alguns eventos pela a desmilitarização da PM, e todas as vezes que nós anunciávamos publicamente, as 19:00hrs apareciam duas viaturas e ficavam do outro lado da rua, não faziam nada, mas ficavam lá até o fim”.

A curiosa estátua de isopor de Vladmir Lenin chama a atenção não só pelo seu tamanho, quase dois metros de altura, mas por estar usando máscara de proteção, o que acaba se tornando simbólico, pelo fato de que os negacionistas e seguidores do Bolsonarismo se negarem a usa-la alegando que o Coronavirus nada mais é do que uma conspiração comunista. Porém mais curiosa ainda é como a estátua foi conseguida por Claudimar, de forma bem-humorada ele conta como a estátua chegou até ele e quem era o antigo dono:

“Esse Lenin foi assim, um advogado meu amigo, passou na rua Augusta, em frente ao Parque e havia um brechó e ele viu esse Lenin, tirou uma foto e me mandou me perguntando se eu queria, claro que eu quis. O mais curioso é que antes essa escultura estava em uma peça de teatro e eu não perguntei de quem era, nem nome da peça, do diretor nem nada, quando um amigo do Sesc Ipiranga entrou em viu a escultura do Lenin, ele conheceu e disse que a peça estava no Sesc no ano anterior e o diretor da peça era nada menos que o Bolsonarista Ricardo Alvim, ex-secretário de Cultura (Risos). A minha ideia era pegar o nome do cara e divulgar, mas depois dessa informação eu deixei pra lá, (risos)”.

Os anos de militância de Claudimar lhe deram uma bagagem capaz de fazer um paralelo do nosso momento atual com a ditadura militar que ele mesmo viveu sendo muito taxativo e não deixando dúvidas que os tempos atuais estão longe de ser de calmaria:

“Este momento é muito pior do que a ditadura militar, na ditadura, ao menos os milicos tinham o nacionalismo, por exemplo, peitando os EUA naquele acordo nuclear na usina de angra dos reis quando queriam impor uma empresa e o Brasil acabou fazendo com a Alemanha, a criação da Embraer, a questão da Soberania Nacional, entre outras coisas. E hoje a gente vê esses generais praticamente entregando o patrimônio público, veja o caso do Amapá, aquilo é uma vergonha”.

Com a Pandemia de Coid-19 o espaço que funciona como ponto de encontro de vários setores do campo progressista se viu sem sua principal fonte de renda, o bar, em meio a falta de perspectivas Claudimar chegou a anunciar o fechamento do espaço nas redes sociais, o anuncio logo se transformou em comoção e solidariedade de amigos e clientes que de imediato se mobilizaram e lançaram uma campanha no apoie-se que está ativa e tem como objetivo manter não só o ECLA funcionando mas a esperança de vários setores na luta e resistência.

“A gente está fechado desde a segunda quinzena de Março, de lá pra cá agora que estamos abrindo, timidamente, mas as pessoas ainda não veem, tem medo. […] O espaço tem uma despesa mensal em torno de quatro e meio e cinco mil reais por mês, com oito meses fechado sem faturamento nenhum chegamos a quase a mais de quarenta mil de prejuízo, estava muito difícil e isso me deixou desanimado, e de madrugada eu postei aquilo nas redes sociais. E quando eu acordei, havia inúmeras mensagens de solidariedade e a noite veio muita gente aqui, e isso foi o que me animou. A gente fez uma campanha no apoia-se que está nas redes sociais do ECLA, além de amigos que se prontificaram a ajudar nessa batalha”

ECLA é daqueles lugares necessários em qualquer sociedade onde a democracia é respeitada, onde existe a pluralidade de ideias, onde a voz do trabalhador tem força, onde as justiças sociais estão acima de qualquer “deus mercado”, um espaço que não pode morrer e que lutar pela sua existência é entender que a luta pela liberdade não pode acabar.

Para saber mais informações do ECLA e de como ajudar, acesse os links abaixo:

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