Copa dos Refugiados busca integração através do esporte

Torneio quer mostrar a realidade da vida de pessoas que vieram para o Brasil fugindo de guerras, fome e perseguição

Por: Brasil de Fato

Com o intuito de integrar através do esporte, o Brasil sedia mais uma Copa dos Refugiados e Imigrantes. O torneio de futebol busca mostrar as realidades das vidas dessas pessoas para o público brasileiro e, assim, contribuir com a luta contra os preconceitos, as discriminações e a xenofobia.

Entre as equipes estão as seleções da República Democrática do Congo, Cabo Verde, Gana, Paquistão, Haiti, Guiné, Colômbia e Venezuela. 

Organizado pela ONG África do Coração, com o apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), a competição surgiu em 2014, em São Paulo. Na edição deste ano, o torneio, que começou no segundo fim de semana de agosto, está dividido em etapas regionais que acontecem nas cidades de Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Curitiba, Recife, e São Paulo. 

As seleções vencedoras de cada fase disputam as finais, em novembro, no Rio de Janeiro, em data ainda a ser definida. Os jogadores representam não apenas as seleções dos seus países de origem, como também as cidades e estados em que foram acolhidos ao chegar no Brasil.

O tema da Copa deste ano é “Reserve um minuto para ouvir uma pessoa que deixou o seu país”.

Serão cerca de 1.120 atletas de 39 nacionalidades participando do torneio. Os jogadores são solicitantes de refúgio, refugiados reconhecidos e imigrantes. Um deles é Ibrahim Macaba, capitão da equipe da Guiné Conacri, há seis anos morando no Brasil.’’   “Eu agradeço muito ao povo brasileiro. Que nos ajuda. Eu estou muito satisfeito com todas as coisas porque nesse país a gente tem paz’’, relata.

Abdul Baset Jarour, coordenador-geral da Copa dos Refugiados e vice-presidente da ONG África do Coração explica que o torneio tem contribuído na integração.

“É importante um projeto como este pelo título humano. Não leva dinheiro, não leva taça. Essa é a importância deste projeto. A importância é de alguma maneira chamar a atenção da nossa causa. Segundo a Acnur, mais de 70 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar a sua terra natal. Por questões religiosas, políticas e também pelas guerras e violência. É um projeto ligado ao esporte, ao lazer, ao futebol”, conta.   

“Nós temos dificuldades, existe um tempo no processo de integração. Nós temos dificuldade de aprender a língua nativa, uma parte da população discrimina nossa chegada, nós queremos chamar a atenção da sociedade: ‘olha, nós somos seres humanos’. Nós somos diferentes, mas não somos desiguais. Nós queremos que o brasileiro torça para o time dos refugiados”, explica Abdul, que é refugiado sírio de Allepo e saiu de seu país por conta da guerra civil na Síria.  

Para Stéphane Rostiaux, chefe da missão da Organização Internacional para as Migrações (OIM) no Brasil, “o aspecto sociocultural muitas vezes é deixado em segundo plano na integração dos migrantes. Para a OIM, apoiar iniciativas como a Copa dos Refugiados e Imigrantes é fundamental para criar condições que garantam uma inclusão sustentável e que beneficia a todos”.

Edição: Rodrigo Chagas