Constrangedora mídia esportiva, onde ser Gay é mais relevante do que uma condenação por estupro

Quando foi divulgada a sentença no qual o Jogador Robinho fora condenado na Itália por conta da acusação de estupro coletivo, pouco se falou nos meios de comunicação a não ser claro, em algumas mídias alternativas e jornalistas que são sempre combativos perante as injustiças, José Trajano, Gabriela Moreira, André Rocha entre outros. Após protestos das torcedoras do Galo e de algum barulho nas redes sociais outros Jornalistas se viram na obrigação de abordar o tema, como André Rizek que reconheceu o ato falho e sua rede social, “Duas seguidoras me convenceram sobre o caso Robinho: 1) Estamos dando pouco espaço ao tema; 2) É inviável ele representar um clube enquanto tenta reverter a condenação. Obrigado, meninas. Que a justiça, seja ele culpado ou inocente, aconteça no tribunal.”

Porém, chama à atenção a resistência da mídia (principalmente esportiva) em abordar assuntos que vão de encontro à luta contra a cultura do estupro e o machismo, que fazem parte do Futebol. A luta contra o machismo no Futebol é diária e aos poucos está quebrando algumas barreiras, mas muitos jornalistas acham que essa cultura “pertence ao futebol” e não só se omitem, como muitas vezes defendem, fazendo piadinhas com a desculpa de que o politicamente correto deixa tudo chato. Pois é, deve ser chato não poder mais atacar um adversário com ofensas machistas, nem fazer cantos homofóbicos nos estádios, e imagina só não poder fazer piadas e achar graça do fato de um jogador que “supostamente” fosse homossexual e sofreu perseguição e ameaças durante quase toda sua carreia?

O comportamento constrangedor do Atlético Mineiro em não dar um pronunciamento é reflexo de como nossa sociedade se comporta perante casos como esse, lavando as mãos e deixando as vítimas de violência abandonadas. O Atlético repete o comportamento dos estádios, onde tudo pode, aliás, nem tudo é permitido, ser Gay ainda não é tolerado no futebol, mas estuprar? Tudo bem, afinal, isso “Pertence ao Futebol”.

 

Alam Moura