Com 29% do lucro global, Brasil segura ganhos do Santander

Lucro total do banco espanhol cai 0,2%, para 16,98 bilhões de reais. No Brasil, o resultado consolidado chegou a 7 bilhões de reais, um aumento de 12,7%

Por: El País

Banco Santander decidiu cortar o lucro da primeira metade do ano para financiar o Expediente de Regulação de Emprego (conhecido como ERE) acertado com os sindicatos espanhóis que significará a saída de 3.223 funcionários que terá custo de 600 milhões de euros (2,5 bilhões de reais) à entidade. Com essa carga, e outras adicionais ao Reino Unido, o grupo presidido por Ana Botín registrou lucro líquido de 3,321 bilhões de euros (13,94 bilhões de reais) entre janeiro e junho, 14% a menos do que um ano atrás.

Essas ações pela reestruturação estavam previstas como parte dos planos do banco para reduzir sua base de custos anuais na Europa em 10% —1 bilhão de euros (4,2 bilhões de reais)—, como anunciou a entidade no dia do investidor em 3 de abril. O banco realiza na terça-feira uma reunião de acionistas em Santander em que está prevista a recompra de até 25% de sua filial do México que não está sob seu controle.

Excluindo as ações citadas, o lucro total do semestre foi de 4,045 bilhões de euros (16,98 bilhões de reais), 0,2% a menos em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, ainda que seja 2% a mais em euros constantes (ou seja, excluído o impacto das taxas de câmbio). O banco, entretanto, afirma que o resultado obtido somente no segundo trimestre de 2019, 2,097 bilhões de euros (8,8 bilhões de reais), 5% a mais, é “o maior lucro ordinário trimestral desde 2011, impulsionado pelo forte crescimento do crédito na América Latina, uma melhora contínua da rentabilidade na América do Norte, assim como a redução dos custos na Europa”.

O Brasil continua como o principal país com 29% do lucro, seguido pela Espanha (13%), Santander Consumer Finance (13%), com uma leve diminuição do resultado, Reino Unido (11%) após ganhar 13% a menos até junho, e os Estados Unidos (9%), com uma melhoria de 30% nos ganhos. Somente no Brasil, o resultado consolidado chega a 1,673 bilhão de euros (7 bilhões de reais), um aumento de 12,7%, e na Espanha o Santander ganhou 5% a mais, chegando a 694 milhões de euros (2,9 bilhões de reais).

Além da taxa de custo na Espanha, também alocaram 172 milhões de euros (722 milhões de reais) no Reino Unido “para a otimização e a reestruturação relacionadas a um plano para eventuais reivindicações do seguro de proteção de pagamentos”, diz a entidade. O grupo sofreu perdas de 180 milhões de euros (756 milhões de reais) pela venda de uma carteira de ativos imobiliários no primeiro semestre, que foram parcialmente compensadas pelo ganho de capital de 150 milhões de euros (630 milhões de reais) alcançado com a venda de 51% de uma empresa de meios de pagamento na Argentina.

Ana Botín, presidenta do Banco Santander, disse: “O banco obteve seu melhor lucro ordinário trimestral dos últimos oito anos, refletindo o progresso de nossa transformação comercial e digital”.

Margens da conta em alta

Todas as margens na demonstração de resultados mostram aumentos. A margem de juros cresceu 4% no primeiro semestre (+ 6% em euros constantes), enquanto o crédito e os recursos de clientes aumentaram 4% e 6%, respectivamente, em euros constantes. O banco elevou em um milhão o número de clientes no trimestre e já atende 142 milhões. O número de clientes vinculados, aqueles que usam o Santander como principal banco, aumentou 10% nos últimos 12 meses, passando a 20,6 milhões. Ou seja, apenas 14,5% do total de clientes estão vinculados.

A taxa de inadimplência se reduziu em 11 pontos-base, para 3,51%, e as dotações por inadimplência permaneceram estáveis em 4,31 bilhões. O custo do crédito, isto é, o que o banco provisiona quando concede um empréstimo, também se manteve estável, em 0,98%.

A instituição continuou a gerar capital organicamente, 11 pontos-base adicionais no trimestre, o que situou a taxa de capital CET1 em 11,30% no final de junho de 2019, em conformidade com seu objetivo de médio prazo de 11-12%. O Santander obteve um retorno sobre o capital tangível (Rote) de 11,7% e um Rote contábil de 10,5%. Os recursos próprios tangíveis (TNAV) por ação, uma medida essencial de valor para os acionistas, aumentaram 5% nos últimos doze meses, para 4,30 euros (18,06 reais) por ação.

O banco fechou o semestre com 201.804 funcionários, quase 1.000 a mais do que um ano antes. O número de acionistas foi reduzido em 2,4%, para 4.054.208.

Conselho aprova aumento de capital para a subsidiária mexicana

A assembleia geral extraordinária de acionistas do Santander aprovou nesta terça-feira “o aumento de capital para a aquisição das ações do Santander México detidas por acionistas minoritários, que representam 24,95% do seu capital”, informou em um comunicado da instituição, que já possui o capital restante.

O Santander, primeiro da zona do euro em capitalização na bolsa, aumentará o capital para 2,56 bilhões de euros (10,75 bilhões de reais), dependendo da demanda, para comprar as ações de sua subsidiária mexicana que ainda não possui. A operação consistirá em emitir e colocar em circulação novas ações, com as quais realizar uma troca.

“Os acionistas da subsidiária mexicana que decidirem participar da oferta receberão 0,337 novas ações do Santander por cada ação do Santander México”, disse a instituição espanhola em seu comunicado.

Esta proposta, observou, “inclui um prêmio de 14% sobre a cotação no final do dia anterior ao anúncio da oferta, e 22% sobre o preço médio ponderado por volume do mês anterior ao anúncio”. O período de aceitação deve começar em agosto e terminar em setembro, especificou o Santander.

Como lembrou o banco, sua subsidiária mexicana obteve em 2018 um lucro atribuído de 760 milhões de euros (3,19 milhões de reais), ou seja, 8% do lucro total do grupo. No final de 2018, a subsidiária tinha 16,7 milhões de clientes no México e 19.859 funcionários.

A presidenta do Santander, Ana Botín, expressou confiança na segunda maior economia da América Latina, liderada pelo esquerdista Andrés Manuel López Obrador. “Acreditamos que a economia do México é atraente e é uma das economias com maior potencial na América Latina”, disse ela. “Oferece uma rentabilidade média mais alta que a de outras geografias e tem um setor financeiro com forte potencial em razão da baixa penetração bancária no país”, acrescentou.