Chorão e sua vida na bicicletaria

Astro da música, morto em 2013, trabalhava em uma loja de bike de São Paulo antes de alcançar a fama

Muitos não sabem, mas o Jardim Tremembé, bairro localizado na zona norte de capital paulista, abriga um estabelecimento que faz parte da história do rock nacional. Trata-se da bicicletaria Bertelli, em atividade desde 1980. Lá  trabalhou um dia um menino que viraria astro pop: Alexandre Magno Abrão, popularmente conhecido como Chorão. O ex-vocalista da banda Charlie Brown Jr. foi encontrado morto após sofrer uma overdose em seu apartamento no bairro de Pinheiros, no início do mês de abril de 2013.

Andréia Bertelli e José Alexandre Neves foram “patrões” de Chorão – Autor: Jaques Cipriano

Durante a adolescência, Chorão trabalhou por um tempo na bicicletaria e só depois, em razão da separação de seus pais, se mudou para Santos onde passou a morar junto com seu pai e começou a trilhar o caminho do sucesso. “Conheci o Chorão quando ele tinha 12 anos. Era uma pessoa muito simpática e alegre”, conta Andréia Bertelli Barbosa, proprietária da bicicletaria, que leva o seu sobrenome.

Andréia lembra também a paixão pelo skate nutrida por Chorão. Na época ele já se encontrava com uma galera em frente à loja para dar “rolês” de skate, mesmo antes de começar a trabalhar na biciletaria. “Ele tinha uma maneira diferente de olhar”, explicou José Alexandre Neves, marido de Andréia e também proprietário do estabelecimento. “Quando conversávamos, ele olhava diretamente nos olhos e parecia que enxergava algo a mais. Somente uma pessoa especial igual a ele possui estas características”.

De acordo com Andréia Bertelli, Chorão trabalhou por cerca de oito meses em sua loja na função de aprendiz. O músico atendia os clientes, organizava e limpava as mercadorias.

Mas nem tudo é sinônimo de boas lembranças. Andréia conta que recebeu com muito pesar a notícia da morte de Chorão, pois o considerava uma boa pessoa. José Alexandre foi mais além, ao falar da morte de Chorão. “O que me deixou mais triste após sua morte é que nunca tivemos a oportunidade de agradecer ao Chorão o quanto foi importante ele falar sobre a bicicletaria Bertelli na mídia, lembrando de seu passado. Foi um humilde reconhecimento dele em relação a nós. Ficarmos ainda mais conhecidos, inclusive fora do bairro”, destacou. “Infelizmente, não tivemos a oportunidade de nos reencontrar depois do início de sua bem sucedida carreira artística como integrante da banda Charlie Brown Jr.”, lamenta.

Jaques Cipriano