Cartas de amor na despedida. Um adeus a quem partiu pela covid-19

Familiares e amigos de vítimas do novo coronavírus no Brasil colocam em palavras o que gostariam de dizer às pessoas queridas que se foram

Fonte: EL PAÍS

O Brasil está em luto. A pandemia do novo coronavírus causou as mortes de mais de 100.000 pessoas no país, segundo os dados oficiais, entre março ―quando ocorreu o primeiro óbito covid-19― e o início de agostoA pedido do EL PAÍS, familiares e amigos de pessoas que morreram em decorrência da pandemia colocaram em palavras os sentimentos em relação aos que foram, numa tentativa de amenizar a dor da despedida. São cartas, relatos e palavras de amor, para manter vivas as histórias dos que se foram.

Darah e seu esposo Cláudio Cardoso.
O adeus ao marido: “Meu companheiro tinha sede de viver e só uma condição: dizia que eu estava proibida de morrer antes dele”
Darah Cardoso escreve carta para o marido, Cláudio, poeta que mais tinha sede de viver e que morreu de covid-19 aos 58 anos.
BELO HORIZONTE, MG, 05.08.2020 – Brasil se aproxima de 100 mil mortes por Covid-19. Na foto: A recepcionista Maíra Diniz Câmpara, que perdeu o pai Paulo Roberto Dias Câmpara, de 75 anos, e sua filha, Samira Diniz Câmpara, 40, vítimas de Covid-19. Maíra segura celular com fotos do pai e da irmã. (Foto: Flávio Tavares/El País)
Cartas para a irmã e o pai: “Quanto tempo perdemos com mágoas do passado. Pai, você se foi sem saber o tanto que eu te amava”
Maíra Diniz Câmpara escreve cartas de despedida para o pai e a irmã, vítimas da covid-19 no mês de junho, em Minas Gerais
Ciro Ricardo Pires de Castro Júnior é filho do médico Ciro Ricardo, que morreu em junho de covid-19.
O adeus de um filho para o pai: “Bom dia, pai. Como vai o senhor? Hoje já faz mais de um mês que você nos deixou…”
“Ser grande e ser simples, este é seu verdadeiro legado”, escreve Ciro Castro em carta ao pai, um médico goianense que não resistiu à covid-19 após meses na linha de frente contra a pandemia
Anselmo Rodrigres Samias, de 57 anos, professor indígena do povo Kokama e ativista pela revitalização do idioma kokama.
Carta para um primo: “Anselmo, você só vai morrer se morrermos todos os Kokama”
“Awitse, Ikuatawara”, ou “obrigado, mestre”, em português, é o que Glades Samias escreve em carta ao primo professor que não resistiu à covid-19. Ele sonhava em revitalizar o idioma kokama
BELO HORIZONTE, MG, 05.08.2020 – Brasil se aproxima de 100 mil mortes por Covid-19. Na foto: A advogada Luciana Atheniense, que perdeu o pai, o advogado Aristóteles Atheniense, de 84 anos, vítima Covid-19, no início de julho. (Foto: Flavio Tavares/El País)
O adeus de uma filha ao pai: “O amor semeia o amor e foi isso o que meu pai me deixou”
A advogada Luciana Atheniense relata o que a morte por covid-19 de seu pai Aristoteles representou para ela e sua família: “Luto é não querer produzir, é não querer raciocinar”
Pedro Ivo de Oliveira ao lado da prima Bianca, que morreu aos 18 anos de covid-19 no Brasil.
Carta para a prima, Bianca: “Lembro o quão majestosa você foi, um espírito travesso que gostava de viver de forma intensa”
Pedro Ivo de Oliveira escreve uma carta para a prima Bianca Galvão de Oliveira, de 18 anos, uma das vítimas da covid-19 no Brasil
Cláudio Cardoso, sentado à direita, ao lado de Sol de Souza e de outro amigo. Cláudio, de 58 anos, foi uma das 100.000 vítimas fatais da covid-19 no Brasil.
Carta para um amigo: “Cláudio, lá onde estás, tuas palavras estão a embalar quem busca escutar apenas palavras que cantam”
Sol de Souza escreve uma carta para o amigo Cláudio Cardoso, que faleceu aos 58 anos
Clarinda Maria da Conceição, uma das 100.000 vítimas fatais da covid-19 no Brasil.
Carta de uma filha para a mãe: “Mãe, amor e saudade brotam em cada um que teve a sorte de conviver com a senhora”
Scheila Vargas escreve uma carta para a mãe, Clarinda Maria da Conceição, de 74 anos, que era conhecida pelo sorriso largo que presenteava aos familiares e vizinhos
Karina Spinoza mostra, no celular, uma foto sua com o amigo Diego Pereira, uma das 100.000 vítimas da covid-19 no Brasil.
Carta para um amigo: “Diego, sua partida calou Nossa Favela, os corações da comunidade, mas não o seu legado”
Karina Spinoza escreve ao amigo Diego Carneiro Pereira, pai de seis filhos, ativo nos projetos sociais e esportivos de São Paulo, que morreu aos 46 anos em decorrência da covid-19
Maria Cristiane dos Santos Silva segura a uma foto da mãe, Mazé.
Carta de uma filha para a mãe: “Você aprendeu a fazer tudo com uma só mão, e a me segurar com a outra”
Maria Cristiane dos Santos Silva escreve carta para a mãe vítima da covid-19: “Seu amor é o culpado por eu não me contentar com qualquer coisa”