Blindado, Doria assume o risco de ter um “novo 2006” visando a presidência

Por: Alam Moura

Ao realizar a transferência do líder máximo do PCC (Primeiro Comando da Capital) Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outras 21 pessoas acusadas de terem ligação com a facção, o Governo de São Paulo assume a responsabilidade perante a qualquer retaliação que possa vir por parte das facções e grupos espalhados pelo Estado.

Quando em 2006 a onda de ataques organizados paralisou e aterrorizou todo o Estado de São Paulo ficou evidente que a Gestão tucana havia perdido qualquer tipo de controle frente ao crime organizado, e mesmo negando o acordo com os advogados do PCC a Folha de S. Paulo na época publicou uma matéria provando o contrário, e até mesmo o então secretário da Administração Penitenciária de São Paulo, Nagashi Furukawa, que havia negado o acordo em 2006, posteriormente, em 2008, afirmou acreditar na existência de um acordo, citando como evidência a “redução radical na ocupação de celas” após a sua gestão.

Preso desde julho de 1999 e apontado como líder do PCC desde 2001, esta é a primeira vez que Marcola ficará em um presídio federal, porém desta vez temos um Governador blindado pela mídia e por uma grande parte do eleitorado, afinal de contas estamos falando de um Estado dominado pelo Tucanato por quase trinta anos.

João Doria sabe que independente das consequências perante a ação, que segundo os advogados de defesa não foram informados com antecedência, terá o apoio popular, e do próprio governo federal, em visita ao atual presidente durante essa semana, ficou muito claro que qualquer ação do Governador do estado terá o aval do planalto. E se tudo der errado e as retaliações de fato se concretizarem, terá o álibi perfeito ao jogar toda a responsabilidade nas gestões anteriores de seus Ex-aliados tucanos.

Em nome de seu protagonismo é capaz até mesmo em transformar o Estado de São Paulo em uma zona de guerra, afinal o que são centenas de vidas perto de seu maior objetivo, a presidência em 2022?