América Latina de mãos dadas

Por: Alam Moura

A América Latina mais uma vez chora, somos vítimas da exploração, mais de quinhentos anos sem paz e é difícil saber quando isso vai acabar. No começo do século XXI ainda acreditávamos em uma América mais justa, um mundo melhor para todos e durante A sua primeira década parecia que poderíamos chegar lá, talvez, pela primeira vez na história acreditar no “Sonho Latino-Americano” faria sentido.

Claro que tínhamos problemas, mas pela primeira vez havia esperança, mas aquela América que para muitos seria o ideal, não estava dentro dos planos de quem nunca se sentiu dentro dela. Usurparam o poder, usaram em vão o nome de Deus, logo na América, tão movida pela fé, onde um Francisco homem do povo estava no posto mais alto do catolicismo.

Mas tudo ruiu, e até hoje ainda é difícil entender o porquê. Teorias não faltam, teses, conspirações, o fato é que agora isso já não é tão importante, diante do mar de ódio que assola a América Latina. Ao acompanhar as manifestações do “outubro rebelde” o que se ouviu não foram apenas gritos por liberdade e direitos, mas as vozes de grandes personagens que tanto mostraram uma América Latina que poucos queriam ver, de Gabriel Garcia Marques, Carolina de Jesus, Eduardo Galeano, Pablo Neruda a Nilton Santos. Nossa América ganhou vida, justamente em um dos momentos mais tristes na nossa história recente.

A Argentina, apesar de uma crise econômica difícil de recuperar em curto prazo conseguiu dar esperança que no mínimo será suficiente para que seu povo continue lutando. Equador, Chile, as massas nas ruas, são um alento para acreditar que sim, é possível vencer. O Brasil, que dentre todos os países do continente é o que viu a onda conservadora avançar com maior extremismo e ódio, é o que ainda caminha em passos mais lentos para uma reação popular, mas isso de modo algum significa que somos inferiores ou qualquer tipo de complexo vira-lata, muito pelo contrário.

De todos os países Sul-americanos, o Brasil é o que sempre apresentou o maior temor para os países imperialistas, principalmente os EUA, não só pela sua Geografia privilegiada, mas principalmente por seu potencial econômico e nos últimos anos, seu crescimento social. O Golpe iniciado em 2016 e concretizado em 2018 com a prisão do Lula e a eleição da Extrema-Direita, significou, diferente dos nossos vizinhos, não apenas um golpe político, mas também um “golpe” nos valores morais, éticos e nas entranhas do caráter do povo brasileiro. É por isso que por aqui apesar da esperança com a soltura do maior líder popular da nossa história, ainda sim a retomada do regime democrático será mais difícil.

O autoritarismo, o ódio está enraizado nas instituições públicas, nas ruas, e por onde olharmos ao estar fora da nossa bolha. A América Latina está em constante mudança e é fundamental nós não desvencilharmos desta corrente que poder mudar rumo da nossa história.